Páginas

domingo, 6 de maio de 2018

dia poesia

dia poesia
aquele em que escuto
o sussurrar
da minha voz
e adormeço

dia poesia:
olho o sol
há gente, há
a
mar
elo

dia poesia
em que o batuque
tomou conta
da rua
do canto provocador
latino
hispânico
das palmas do pescador


dia poesia,
sigo meu corpo e sinto
o forró que vem da gaita
no arante, mais ao sul,
entre cachaças e passos errantes

dia poesia,
me de(le)ito
com o passar do vento
no coqueiro.

Florianópolis, 2018
depois de um dia em Armação, Matadeiro e Pântano do Sul

terça-feira, 7 de novembro de 2017

chuva e mel

quero lembrar do que sou feita
se sou feita de mel
se sou feita de chuva
não importa
enquanto escorre meu gosto
entre as pernas macias

quero sentir de novo
o gosto
da rebeldia
da insubmissão intensa
que arranca
grotescas raízes
e desliza de mim
para fora de mim
e entre meus lábios
e entre meus seios
irrompe
energia.

quero não terminar poesia,
quero ser eterna poesia.

Santa Maria, 08/11. Semana de entregar o TCC.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

diáspora

europeu foi na capoeira
viu o negro jogar
sorriu tapando a boca
voltou a colonizar

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Um ventre para Matilde

Matilde tinha medo de não ser
Era alta, quando lhe diziam ser
Era culta, mas podia não ser
Vazia, quando gostaria de ser
Sempre, sobre ser algo em ser

Matilde queria ser sempre ser
Mulher, só quando lhe deixavam ser
Quando lhe diziam não ser
Que era necessário ter ventre pra ser
Ela dizia não, então, não, não precisava ser

Matilde podia ser outra coisa então
Seria algo mais acabado
Mais terminado
Mas algo tinha que ser
E lhe perguntavam:
"como sois?"
sobre algo de ser
ao que respondia
"só sou,
se queres ser,
sê".