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domingo, 6 de janeiro de 2019

poesia arriada

está lendo um relato
de um certo oriente
entre prosa, calor e poesia
a mente
viaja para o querer
palavra tão pudica de escrever.

as expressões mais necessárias
parecem não caber
se as deixa vir
o corpo treme e então
é poesia?

no vento quente que vem
de um ventilador empoeirado
um funk promíscuo
e descompostura
parecem encaixar mais
em tudo que sente
abaixo da cintura.

(ainda mais
nessa ilha
bananeira e tropical,
que agora
na republiqueta
tem mais vulgaridade
que qualquer "piroqueta").

florianópolis/jan19

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

perambular estrelar

todo um sistema solar
pra encontrar
em nosso olhar
planetas coloridos
cheios de lagos reluzentes
um universo envolvente
onde procuramos os pedaços
de uma estrela explodida
que queimou intensamente
antes da partida.

na água luminosa
buscamos essas pedras
escondidas pelas heras
aquelas bem ao fundo
desse ambiente cósmico
do além-mundo.

e esses pedregulhos
faiscantes
são buscados em mergulhos
incessantes
pelos seres cujo pecado maior
é se entregar à imensidão
de círculos de abraços, giro e suor
que como os anéis de saturno
repetem-se sob o céu noturno
no nosso perambular milenar
na galáxia de amar,
desamar e
ser explosão estrelar.



domingo, 2 de setembro de 2018

do que é feito um país?

um país é feito de gente
que sua, chora, sofre, mas ri.
gente que inventa,
que conta e escreve história,
com arte,
luta,
ciência,
trabalho...

um país é feito de gente,
mas também é feito do que fica depois da gente.
para isso cada país tem um lugar,
um lugar de guardar.
pode ser uma casa, um prédio
paredes de ferro, madeira ou concreto.

se for casa
pode ser grande
ou pequena,
uma de várias ou apenas uma.
jardim interno, externo
jardim nenhum
importa é que essa casa tem memória
a memória do nosso caminhar
desde a rua em que está,
porque está, o que será
quem somos e o que fizemos
com o que descobrimos
sobre o tal andejar.

tem lá nosso sonhar,
o que realizamos e reivindicamos,
o que detestamos e que para não reviver:
há que lembrar!

lugar de guardar,
preserva o que fomos,
nos lembra o que ainda podemos ser.
e qual história
arte
ciência
trabalho
luta
queremos ter.

do que é feito o Brasil?

ah, como eu queria ter conhecido o Museu Nacional...

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Sobre deixar as coisas na areia e entrar no mar gelado

Meu 23º ano de vida começou ensolarado, com vento nas costas e mergulho no mar gelado.

Comecei meu novo ciclo me lembrando da importância da vida-morte-vida. Que sou cíclica, de corpo e de alma. Sou feita de dança, sonho e de riso. Mas também de silêncio, de pés firmes na terra e, quando necessário plantar a muda que será raiz, de mãos na terra também. E dessas coisas de terra e coração, comecei o ciclo - esse tempo de reflexão - lembrando que há coisas que semearei e cuidarei para que renasçam/floresçam e outras que deixarei morrer.

Além, nesse dia ensolarado, comecei tendo consciência da importância de uma vida feita à mão, de permitir e colocar meu toque naquilo que faço e vivencio. E não me culpar por isso. Tendo ciência do que me move, quais são minhas paixões, minhas lutas; qual a poesia do meu viver. Sabendo que sou uma pessoa que se afeta com a vida, se entrega e se emociona com o barulho do mar, com um filme, um livro, um ato de potência, com uma palavra, um gesto, com um corpo que dança, com uma poesia.

Mas mais importante: sentindo que nesse novo ciclo é necessário ser auto-responsável diante do que já sei sobre mim, não traindo quem sou e sendo sincera em ações e sentimentos. É bonito e não é fácil. Por isso fiz ontem o exercício de deixar as coisas na areia e entrar no mar gelado. O que também é uma metáfora singela para algo tão difícil: deixar ir, permitir que morra, reconhecer a ciclicidade da vida e me jogar no desconhecido. E sair renovada. Mas nunca determinada, porque a vida também é lugar em que a mudança é constante, em que históricxs caminhamos. Por isso inciei o dia de ontem lembrando dos meus compromissos com a vida, com meus sonhos e quereres e tranquila em dizer que, no dia de amanhã, não há problema em ter que relembrar tudo isso novamente. Permito assim que flua o "rio abajo rio", aquele em que consigo ser eu mesma.

Como é bom saber disso tudo no dia de hoje, é bom estar na vida, esse lugar de aprender!, lugar de sentidos, de aprender a ser humilde, a ser terna. Pelas palavras de Sosa: gracias a la vida que me ha dado tanto! Gracias aos laços que criei com tantos seres maravilhosos/as que tenho compartido tanto!


Campeche - 06/08/2018