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terça-feira, 7 de novembro de 2017

chuva e mel

quero lembrar do que sou feita
se sou feita de mel
se sou feita de chuva
não importa
enquanto escorre meu gosto
entre as pernas macias

quero sentir de novo
o gosto
da rebeldia
da insubmissão intensa
que arranca
grotescas raízes
e desliza de mim
para fora de mim
e entre meus lábios
e entre meus seios
irrompe
energia.

quero não terminar poesia,
quero ser eterna poesia.

Santa Maria, 08/11. Semana de entregar o TCC.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

diáspora

europeu foi na capoeira
viu o negro jogar
sorriu tapando a boca
voltou a colonizar

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Um ventre para Matilde

Matilde tinha medo de não ser
Era alta, quando lhe diziam ser
Era culta, mas podia não ser
Vazia, quando gostaria de ser
Sempre, sobre ser algo em ser

Matilde queria ser sempre ser
Mulher, só quando lhe deixavam ser
Quando lhe diziam não ser
Que era necessário ter ventre pra ser
Ela dizia não, então, não, não precisava ser

Matilde podia ser outra coisa então
Seria algo mais acabado
Mais terminado
Mas algo tinha que ser
E lhe perguntavam:
"como sois?"
sobre algo de ser
ao que respondia
"só sou,
se queres ser,
sê".



terça-feira, 18 de abril de 2017

meia-lua do gato de rua

não é 2016 num golpe sem armas

é um corpo
que dança
gira
e re-dança
na capoeira
pra lá e
pra cá

é um tronco
vibrante
que no susto te atrapa
com golpes no ar,
e instrui, introduz
com seu olhar

é o gingado
malandro
que entre
meandros
faz a meia-lua
de frente e na frente
como um gato de rua

é a chispa divina
de rebelião
na vulva armada
da revolução.